1Largo do Senado
A praça central da península, coberta de calçada portuguesa e cercada pelo Leal Senado e pela Santa Casa da Misericórdia: a porta de entrada do centro histórico.
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Em Macau, a placa de rua é de azulejo azul e branco e fala português e chinês. Você sobe 68 degraus até a fachada de uma igreja que pegou fogo em 1835, e o templo vizinho é chinês.
A tradição diz que o nome Macau vem do Templo de A-Má: marinheiros portugueses teriam desembarcado ali, perguntado o nome do lugar e ouvido o nome do templo.
As placas de rua trazem português e chinês, mas nem sempre dizem a mesma coisa: a Praceta de 24 de Junho, em chinês, se chama algo como "Praça do Dia da Cidade".
O pastel de nata mais famoso de Macau foi criado por um inglês: Andrew Stow abriu sua padaria em Coloane em 1989 e juntou uma receita britânica de creme à massa folhada portuguesa.
O Teatro D. Pedro V, construído em 1860, é apontado como o primeiro teatro em estilo ocidental da China.
Em 1910, tropas portuguesas enfrentaram piratas que haviam sequestrado crianças em Coloane; foi a última batalha travada por elas em Macau, e a vitória ainda é lembrada com um feriado local em 13 de julho.
1A praça central da península, coberta de calçada portuguesa e cercada pelo Leal Senado e pela Santa Casa da Misericórdia: a porta de entrada do centro histórico.
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2A fachada de pedra da antiga Igreja da Madre de Deus, erguida pelos jesuítas entre 1602 e 1640 e destruída por um incêndio em 1835, no alto de 68 degraus.
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3Fortaleza construída entre 1617 e 1626 logo ao lado das Ruínas de São Paulo, com o Museu de Macau no alto do monte e vista de cima para o centro histórico.
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4Templo dedicado a A-Má, deusa dos navegantes, concluído em 1488 e mais antigo que a própria cidade; a tradição liga a ele a origem do nome Macau.
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5Torre de 338 metros inaugurada em 2001, com mirante no alto e um salto de bungee jump de 233 metros para quem prefere ver a cidade de cabeça para baixo.
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6No ponto mais alto da península, uma fortaleza do século XVII guarda uma capela com afrescos redescobertos em 1998 e um farol de 1865.
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7Cinco casas de 1921 transformadas em museu, de frente para um antigo braço de mar, e perto delas a Rua do Cunha, ruela de pedestres tomada por lojas e comida.
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8Vilarejo no litoral sudoeste de Coloane, com praça de calçada ondulada, uma capela de 1928 e a padaria que lançou o pastel de nata de Macau em 1989.
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1Quem cresceu pisando em calçada portuguesa no Brasil sente um estranhamento bom aqui: as pedrinhas são as mesmas, só que cercadas de letreiros em chinês. A praça, com cerca de 3.700 m², ganhou o calçamento no início dos anos 1990 e virou área só de pedestres, com uma fonte no centro e gente atravessando em todas as direções.
Os prédios em volta contam a história de Macau sem precisar de guia. O Leal Senado, de 1784, abrigou a primeira câmara municipal da cidade, e a Santa Casa da Misericórdia foi fundada em 1569 pelo primeiro bispo de Macau. É daqui que a maioria das caminhadas pelo centro começa, então vale parar um pouco, olhar as fachadas e só depois entrar nas ruelas.
2Sobrou só a frente, e ela basta. A igreja que os jesuítas levantaram no começo do século XVII, uma das maiores igrejas católicas da Ásia na época, pegou fogo durante um tufão em 1835. A fachada ficou de pé sozinha, recortada contra o céu no alto de uma escadaria de 68 degraus, e hoje é escorada por trás por uma estrutura de concreto e aço.
Chegue perto e leia a pedra: há uma Virgem pisando numa hidra de sete cabeças, com inscrição em chinês, e leões de guarda chineses esculpidos na base, provavelmente com a mão de artesãos japoneses convertidos pelos jesuítas. Atrás da fachada, um pequeno museu e a cripta mostram as fundações escavadas nos anos 1990. Colado nas ruínas fica o Templo de Na Tcha, de 1888, que resume Macau em poucos metros.
3A Fortaleza do Monte foi erguida com a participação dos jesuítas num morro de cerca de 52 metros e virou a principal defesa da cidade. Ela foi decisiva em 1622, quando os holandeses tentaram tomar Macau e foram repelidos. As muralhas continuam lá, e do alto você vê as Ruínas de São Paulo por trás, como quem espia os bastidores de um teatro.
No topo funciona o Museu de Macau, aberto em 1998 onde antes ficava o observatório meteorológico. Ele conta a formação do território e o convívio das comunidades que passaram por aqui, e por isso funciona como um bom mapa para o resto da viagem: depois dele, cada igreja e cada templo que você encontrar na rua passa a ter contexto.
4Antes de existir Macau, já existia este templo. Concluído em 1488 no bairro da Barra, ele é dedicado a A-Má, também chamada Mazu, a deusa protetora de pescadores e marinheiros. Em vez de um salão único, você percorre vários pavilhões: o portão, o arco memorial, o salão de orações, o Pavilhão da Benevolência, que é a parte mais antiga, e o salão de Guanyin.
É um lugar de culto em pleno funcionamento, com fiéis acendendo incenso e fazendo pedidos, então circule com calma e dê passagem. Na saída, o Largo da Barra tem calçada portuguesa em mosaico, o que transforma a porta do templo chinês mais antigo da cidade num resumo bem-acabado de Macau.
5Da rua, a Torre de Macau parece uma agulha espetada na península: são 338 metros até a ponta da antena, e ela foi inaugurada em dezembro de 2001, dois anos depois da transferência de administração. Lá de cima, o mapa se organiza sozinho, com a península apertada de um lado e as pontes rumo à Taipa e a Cotai do outro.
Para quem quer mais do que olhar, há uma caminhada pela borda externa e o famoso salto de 233 metros. Em 2006, o neozelandês A.J. Hackett, considerado o pai do bungee jump moderno, pulou dali para bater o próprio recorde de salto de um edifício. Mesmo quem não tem coragem costuma parar para ver alguém pular, e o grito chega antes da pessoa.
6A Colina da Guia tem pouco mais de 90 metros, o que basta para ser o ponto mais alto da península de Macau e oferecer uma vista larga da cidade. A fortaleza no topo foi construída entre 1622 e 1638, e dentro dela fica uma pequena capela que guardava uma surpresa: em 1998, uma obra de conservação revelou afrescos escondidos nas paredes, com temas ocidentais e chineses lado a lado.
Ao lado da capela está o farol, de 1865, citado como o primeiro farol em estilo ocidental da costa chinesa. O conjunto faz parte do centro histórico tombado pela UNESCO, mas tem outro ritmo: é um dos poucos lugares de Macau onde a cidade fica lá embaixo e o que você ouve é vento.
7As Casas-Museu da Taipa são cinco casas construídas em 1921 que, antes do aterro de Cotai, ficavam de frente para o mar. A água virou um pequeno pântano, e do outro lado aparecem as torres dos hotéis-cassino: fachada antiga em primeiro plano, arranha-céu ao fundo, tudo no mesmo enquadramento. Uma das casas, o Museu da Vida Macaense, reproduz o interior de uma família abastada da primeira metade do século XX.
Na mesma vila, a Rua do Cunha é estreita, só para pedestres e coberta de lojinhas, restaurantes e balcões para viagem. É o lugar certo para provar o pork chop bun, a costeleta de porco no pão de estilo português, e para descobrir que a vila tem bem mais ruelas do que parece no mapa.
8Depois do barulho de Cotai, Coloane parece andar em câmera lenta. O centro da vila é o Largo Eduardo Marques, calçado com pedras pretas, brancas e amarelas num desenho ondulado que lembra o mar, e numa das pontas fica a Capela de São Francisco Xavier, de 1928. Perto dela, um monumento lembra a vitória de 1910 contra os piratas que tinham sequestrado crianças da região.
Foi aqui que o inglês Andrew Stow abriu sua padaria em 1989 e criou uma versão própria do pastel de nata, com recheio mais cremoso, inspirado numa receita de família. Os moradores apelidaram a novidade de "tarte portuguesa" para diferenciar da versão cantonesa, e o doce virou um dos sabores mais ligados a Macau. Coma morno, sentado na praça.
Dá para vir de ferry ou de ônibus pela ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, aberta em 2018. O ônibus costuma sair mais barato; o ferry, mais caro, é a opção clássica.
Brasileiros podem entrar em Macau sem visto para estadas curtas, de até 90 dias. Confira as regras atualizadas antes de embarcar, principalmente se vier da China continental.
A moeda oficial é a pataca, mas o dólar de Hong Kong circula e é amplamente aceito. Ter um pouco das duas evita contas complicadas nas lojinhas.
De maio a setembro faz calor úmido, chove muito e pode haver tufão. De outubro a dezembro o tempo fica mais seco e agradável; no inverno, leve um casaco de verdade.
O português está nas placas, mas a conversa na rua é em cantonês. Ter o nome do destino escrito em chinês no celular ajuda muito com motoristas e balconistas.
Templos como o de A-Má são lugares de culto ativos: fale baixo, não fique na frente dos altares e peça licença antes de fotografar pessoas rezando.
A cozinha macaense é apontada como um dos primeiros exemplos de cozinha de fusão do mundo: nasceu a partir do século XVI, quando famílias portuguesas tentaram recriar seus pratos com ingredientes chineses e temperos de outras rotas, como cúrcuma, leite de coco e canela. Em 2017, Macau entrou para a rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO. Na prática, você come em três registros: restaurantes macaenses com receitas de família, como bacalhau e galinha à africana; cafés e casas de chá cantonesas; e as padarias de rua, onde o pastel de nata sai do forno o dia inteiro.
Carne moída de boi ou porco refogada com cebola e batata em cubinhos, temperada com shoyu e molho inglês, quase sempre com ovo frito por cima. Cada família tem sua receita.
Massa folhada e recheio mais cremoso que o original português, a versão que Andrew Stow lançou em Coloane. Bom de qualquer jeito, melhor ainda morno.
Costeleta de porco em estilo cantonês dentro de um pão de estilo português. Simples, direto e o lanche que melhor resume a comida de rua de Macau.
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